Por Manoel Ramires/Senge-PR
Você acreditaria que uma empresa com lucro líquido acumulado de R$ 4,6 bilhões até setembro de 2021, 67% acima do ano anterior, precisaria demitir um terço de seus funcionários? Pois a Copel, sim. Na companhia, que viu seus lucros explodirem durante a pandemia de Covid-19, faz parte da política de negócios diminuir o quadro de profissionais e repassar seus resultados para os acionistas. Estratégia intensificada na gestão de Daniel Pimentel Slaviero, que vendeu a Copel Telecom e promoveu programa de demissão voluntária com 509 adesões.
A diminuição de quase um terço do quadro de funcionários ocorreu em uma década, segundo dados da Copel analisados pelo DIEESE. A redução ocorreu em todas as áreas. “Pela RAIS, o número de trabalhadores no período de 2010 a 2020 diminuiu 26,92%, passando de 8.399, em 2010, para 6.138, em 2020, a perda de 2.261 empregos. A maior redução ocorreu no ano de 2013 (16,57%), com a perda de 1.488 postos de trabalho. Todavia, observou-se que maior parte desta queda vem ocorrendo nos últimos anos, principalmente de 2017 a 2020, apresentando queda de 19,60%, com a perda de 1.496 postos de trabalho”, avalia o DIEESE.
::. CONFIRA O DESTAQUE DE EMPREGOS DA COPEL
O que se verificou é que o número de trabalhadores do quadro próprio teve redução de 25,15%, entre 2010 e 2020, passando de 8.907 para 6.667. Mesmo comportamento foi observado para o número de trabalhadores quando consideradas as controladas – redução de 27,3% dos postos de trabalho, entre 2010 e 2020, saindo de 9.401 para 6.832 empregos.

A política de demissões do quadro próprio da última década é mantida e ampliada com “êxito” pela atual direção da Companhia Paranaense de Energia Elétrica. É o que afirma o presidente da Companhia, Daniel Slaviero Pimentel, em prestação de contas aos acionistas.
“Fizemos um grande corte de funcionários. Reduzimos 480 pessoas em 2020 e iniciamos a terceirização do Call Center. Isso representa uma redução de cerca de 7% no quadro de empregados. A expectativa é de uma economia em torno de R$ 68 milhões nos custos a partir de 2021 e de mais R$ 9 milhões a partir de 2022. Já foram desligados 1600 funcionários em três anos. 20% de redução nesse período”, comemora o presidente da Copel. O quadro de pessoal da Copel encerrou o terceiro trimestre de 2021 com 6.414 empregados.

ENXUGAMENTO EM FEVEREIRO APÓS PDV
E as demissões não pararam. No Boletim de Resultados do Terceiro Trimestre de 2021, um novo pacotaço com demissões é concluído pela empresa, diminuindo ainda mais o quadro de funcionários.
“Como parte integrante da estratégia de melhoria contínua de eficiência e redução nos custos, a Companhia lançou em 18 de agosto de 2021 o Novo Programa de Demissão Incentivada. O referido Programa contemplou três fases, incluindo inicialmente funcionários da Copel Telecom, estendendo-se aos demais empregados da Companhia a partir da segunda fase, com adesão voluntária total de 509 funcionários, os quais se desligarão a partir de fevereiro de 2022”, diz o relatório que pode ser acessado aqui.
TERCEIRIZA PARA RETIRAR DIREITOS
O crescimento da Copel enquanto empresa de fornecimento de energia faz com que ela precise de mão de obra. A questão é de quanto e como a empresa quer pagar por esse serviço. A saída foi a terceirização. Se de um lado, a empresa reduziu sua quantidade de funcionários de 9,4 mil, em 2011, para 6414 no terceiro trimestre de 2021 (dados atualizados), do outro, aumentou a quantidade de terceirizados. O número de trabalhadores terceirizados aumentou 43,79%, entre 2010 e 2020, passando de 5.225 para 7.513, acréscimo de 2.288 trabalhadores.
Para a nota técnica do DIEESE, “constatou-se a redução significativa do quadro dos trabalhadores próprios da empresa, contratados através de concurso público, em detrimento da ampliação do número de trabalhadores terceirizados, e que são contratados através de empresas que não a Copel, com remuneração e direitos inferiores aos trabalhadores da Copel, não sendo abrangidos pelo Acordo Coletivo de Trabalho negociado pelas entidades sindicais que representam os trabalhadores da Copel”.

Presidente da Copel Daniel Pimentel Slaviero ampliou a política de demissões - Foto: Copel 
